Guia dos índices financeiros: 15 KPIs para acompanhar no seu negócio

Gerenciar um negócio (online ou físico) exige muito mais do que escolher bons produtos e criar anúncios atraentes. 

No dia a dia da operação, a diferença entre o sucesso sustentável e o fechamento precoce das portas está na capacidade do lojista de interpretar o que acontece nos bastidores financeiros do negócio.

Muitos focam apenas no volume de pedidos, mas vendas sem controle podem esconder armadilhas perigosas para o caixa. 

O domínio das métricas certas permite que você pare de agir por impulso e comece a guiar sua empresa com base em fatos. 

A seguir, vamos mostrar os índices financeiros que te ajudam a  assumir o comando da operação e tenha resultados que se traduzam em dinheiro no caixa.

O que são indicadores financeiros?

Indicadores financeiros são métricas que monitoram e avaliam a saúde econômica de um negócio

Eles funcionam como ferramentas de diagnóstico que permitem ao lojista entender se a operação está gerando lucro.

Em termos simples, mostram se os recursos estão sendo distribuídos e qual a real capacidade de crescimento do empreendimento.

Sabe quando você sente que trabalhou o mês inteiro, o site não parou de vender, mas ao verificar a conta parece que o dinheiro sumiu? 

É aí que os indicadores entram. 

No dia a dia do e-commerce, é muito fácil se perder no operacional (embalando pedido, respondendo chat, conferindo estoque) e acabar deixando os números em segundo plano.

Esses dados nada mais são do que o painel de controle do seu negócio. 

Eles traduzem aquele movimento confuso de entradas e saídas em informações que te ajudam a decidir os próximos passos. 

Com esse controle, você não vai só bater o olho no saldo no fim do dia, que, inclusive, pode enganar se você tiver boletos de fornecedores para vencer amanhã. 

O objetivo é dar nome aos bois e entender o que é faturamento e o que é, de fato, dinheiro sobrando no seu bolso.

Por que usar indicadores financeiros?

Basear decisões no feeling pode até funcionar quando você está começando, mas não é uma estratégia de longo prazo para quem quer escala. 

Quando você entende e acompanha os seus números, para de adivinhar e começa a planejar de verdade.

Imagine uma loja virtual de eletrônicos que está batendo recorde de vendas, mas o caixa está sempre no limite. 

Sem os indicadores financeiros, o dono ou gestor poderia pensar que o problema é falta de pedidos, quando, na verdade, o erro pode estar no custo do frete que não foi repassado ou em uma taxa de marketplace que engoliu a margem.

Ter esses dados em mãos permite corrigir a rota antes que o problema vire uma bola de neve

Além disso, eles dão a segurança necessária para saber o momento exato de investir em novas mercadorias, contratar um braço direito ou aumentar o orçamento de anúncios sem medo de quebrar.

15 índices financeiros para medir o desempenho do seu negócio

A jornada para uma gestão profissional começa pelo domínio dos indicadores que realmente movem o ponteiro do lucro. 

Os principais são:

1. Faturamento

O faturamento é o valor bruto que entrou no seu caixa a partir das vendas em um período determinado. 

É o número que brilha os olhos, mas cuidado para não cair na vaidade do faturamento.

Ele é apenas o volume de dinheiro que passou pela sua loja antes de você pagar o fornecedor, o imposto, a plataforma e a comissão do marketplace. 

No e-commerce, um faturamento de R$ 100 mil pode esconder um prejuízo se a operação não estiver redonda. 

Use esse número para medir o seu alcance de mercado, mas nunca como o único dado de sucesso.

2. Lucro bruto

Aqui é que começa a separação entre os amadores dos profissionais. 

O lucro bruto é o que sobra do faturamento quando você tira apenas os custos diretos para colocar o produto na mão do cliente (como o valor pago ao fornecedor, frete, etc).

Se você vendeu um fone de ouvido por R$ 100 e pagou R$ 40 por ele, seu lucro bruto é de R$ 60. 

Acompanhar esse dado de perto serve para validar se a sua precificação faz sentido ou se, no fim das contas, você está apenas trabalhando de graça para o seu fornecedor.

3. Margem de lucro

Esse é o percentual de cada real vendido que sobra de fato como lucro líquido

No fim das contas, a margem de lucro é quem paga as suas contas pessoais e permite que o negócio cresça.

Quando o assunto são as vendas online, as margens costumam variar muito por nicho. 

Enquanto o setor de eletrônicos trabalha com margens mais apertadas e ganha no volume, o setor de moda pode ter margens maiores, por exemplo.

O importante é saber qual é a sua e garantir que ela seja suficiente para cobrir imprevistos, como um aumento repentino nas taxas de anúncio.

4. Margem de contribuição

A margem de contribuição é como o combustível da sua empresa

Ela mostra quanto cada venda sobra para pagar os custos fixos (aluguel, salários, softwares) e ainda gerar o lucro final.

É um dado estratégico: se a sua margem de contribuição por produto é baixa, você terá que vender uma quantidade gigantesca de itens para chegar no lucro. 

Por outro lado, se ela é alta, você tem mais fôlego para investir em ações de marketing ou oferecer frete grátis sem causar prejuízos no caixa.

5. Custo de mercadoria vendida (CMV)

O CMV é, provavelmente, o maior ralo de dinheiro da sua operação. 

Ele considera o custo de compra do produto, frete de transporte até o seu estoque e até possíveis perdas ou avarias.

Monitorar o CMV de perto ajuda a identificar o momento de negociar melhor com o fornecedor ou buscar novas opções de compra

Se o seu CMV está subindo e o seu preço de venda continua o mesmo, a sua empresa está ficando menor a cada dia, mesmo que o volume de vendas continue igual.

6. Custos fixos e custos variáveis

Entender essa divisão é o básico para não se desesperar no fim do mês:

  • Custos fixos: é o que você paga mesmo se não vender nada. A conta de internet, o pró-labore dos sócios e a ferramenta de ERP;
  • Custos variáveis: aparecem quando a venda acontece. Impostos (Simples Nacional), comissões dos canais de venda e a caixa de papelão do envio.

O objetivo de uma operação lucrativa é manter o custo fixo o menor possível, deixando que a empresa tenha fôlego para sobreviver bem em meses de baixa sazonalidade.

7. Liquidez corrente

Pense nesse índice financeiro como o termômetro da sua paz de espírito. 

Ele mede a capacidade real da loja de honrar os compromissos de curto prazo usando o que há em caixa, o que ainda vai cair das operadoras de cartão e o valor investido em mercadoria.

A lógica aqui não é uma subtração, mas sim uma divisão. Você pega tudo o que tem de recursos disponíveis e divide pelo total das dívidas que vencem no próximo mês.

Para ilustrar: imagine que a soma do seu saldo e do seu estoque seja R$ 20 mil, enquanto as contas a pagar somam R$ 10 mil. Ao dividir um pelo outro, chegamos ao resultado de 2.

Isso significa que você tem duas vezes o valor necessário para cobrir suas dívidas, o que é um cenário confortável. 

Por outro lado, se esse resultado for menor que 1, acenda o alerta.

A empresa deve mais do que tem em mãos e o risco de precisar de empréstimos bancários para fechar o mês aumenta consideravelmente.

8. Ticket médio

O ticket médio é o valor que em média cada cliente deixa na sua loja por pedido. É muito mais fácil e barato aumentar o ticket médio do que conquistar um cliente novo.

Se o seu ticket médio é de R$ 80, o que acontece se você oferecer um kit de “leve 3 pague 2” ou um acessório complementar no checkout? 

Caso você suba esse valor para R$ 110, o seu custo de aquisição de cliente (CAC) continua praticamente o mesmo, mas o seu lucro sobe direto. É pura estratégia de vendas.

9. Giro de estoque

Estoque parado é um índice que mede a velocidade com que os itens saem do seu depósito e dão lugar a novas remessas.

Manter um produto por seis meses sem vender significa ocupar espaço físico, imobilizar capital e correr o risco de a mercadoria sair de moda. 

O lojista com pensamento estratégico deve focar em itens de alto giro (aqueles que entram por uma porta e saem pela outra).

A ideia é garantir que o fluxo de caixa siga oxigenado e as novidades sempre apareçam para o cliente.

10. ROI (Retorno sobre Investimento)

O ROI (Return on Investment) indica o valor que voltou para o seu caixa para cada R$ 1 investido.

E isso seja em anúncios, parcerias com influenciadores, disparos de e-mail ou qualquer outra ação de marketing.

Imagine que no último Natal (ou qualquer outra data importante do varejo), você rodou uma campanha no Instagram que custou R$ 1.000 e gerou, ao final, R$ 5.000 em vendas. 

O resultado parece ótimo, mas a análise real exige cautela.

O cálculo deve considerar o lucro da operação, e não apenas o faturamento bruto. Só assim você enxerga a rentabilidade verdadeira daquela ação.

Essa conta, quando feita sem considerar os custos variáveis, acaba mascarando um prejuízo real disfarçado de faturamento alto. 

Analisar os números precisos é o que impede a loja de apenas trocar dinheiro com as plataformas de anúncios, fazendo com que o investimento realmente ajude a pagar os boletos no fim do mês.

11. ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido)

O ROE (Return on Equity), por sua vez, aponta o quanto a empresa está rendendo em comparação ao capital que os sócios tiraram do próprio bolso para colocar na estrutura.

Vamos a um exemplo?

Um investimento inicial de R$ 30 mil para montar a loja precisa trazer um lucro anual que justifique o risco de empreender. 

Caso a rentabilidade do negócio seja muito baixa, significa que o seu capital está preso em uma operação que dá muito trabalho para pouco retorno real. 

No fim, o lucro deve compensar não só o dinheiro investido, mas também o risco e o tempo que você dedica à operação todos os dias.

12. Rentabilidade

A rentabilidade serve para avaliar o investimento inicial sob a perspectiva do tempo, estabelecendo a relação entre o lucro obtido e o valor total necessário para o negócio existir. 

Com esse número em mãos, o empresário consegue projetar o Payback, ou seja, o prazo necessário para que cada centavo investido no começo da operação retorne para a mão do proprietário. 

O acompanhamento desse dado dá uma noção exata do potencial de geração de riqueza da empresa a longo prazo, ajudando a entender se o modelo de negócio é realmente sustentável e atrativo.

13. Lucratividade

É comum confundir esse termo com rentabilidade, embora o foco aqui seja a eficiência da operação de vendas em si. 

O cálculo relaciona o lucro líquido diretamente com o faturamento total da loja

Esse índice revela o quanto sobra de cada real vendido após a quitação de absolutamente todas as obrigações da empresa. 

Ficar atento a esse número ajuda a entender se a estrutura do negócio está pesada demais ou se a margem de ganho permite que a operação respire com saúde.

14. EBITDA

Embora lembre siglas complexas do mercado financeiro, o EBITDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajuda a medir o potencial real de geração de caixa

Ele deixa de lado (temporariamente) os juros de empréstimos e os impostos para mostrar o quanto o “motor” da sua loja produz de valor. 

Investidores costumam olhar para este indicador como uma prova da saúde operacional, sem as interferências de decisões de crédito ou questões tributárias.

15. Ponto de equilíbrio (Break-even point)

O ponto de equilíbrio representa o famoso “zero a zero”. 

Trata-se do volume de faturamento necessário para que a receita cubra exatamente todos os custos e despesas do período.

Alcançar o break-even traz um alívio enorme para a gestão.

A partir desse valor, cada venda realizada deixa de ser apenas para pagar as contas e passa a ser lucro de verdade. 

É a meta número um de quem está começando e o balizador de segurança para quem já fatura alto.

Domine os números e escale o seu e-commerce

Depois deste conteúdo, temos certeza de que você está mais preparado para analisar os índices financeiros do seu negócio.

Mas, precisamos te lembrar: este é apenas um dos desafios que você vai enfrentar na hora de ter um empreendimento de sucesso. 

Você deve entender o universo das vendas online, desde a precificação à logística, do marketing ao atendimento.

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Fabio Ludke é o Gerente de YouTube no Ecommerce na Prática, a maior escola de e-commerce do mundo.  Empresário, consultor de e-commerce e mestre em engenharia, Fabio atua no e-commerce desde 2018.

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